quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Entrevista | We're family # 4

Tenho adorado fazer as entrevistas a Mães com 2 filhos, tenho lido, relido e retirado conselhos das experiências vividas por cada das minhas entrevistadas.
Estou muito feliz com a minha gravidez, ainda que com esta gripe, tenho tentado desfrutar da melhor forma da barriguinha que começa a crescer e das imagens que vou vendo nas ecografias que faço.
Mas se a opinião e os conselhos de uma Mãe são importantes, os de um Pai também o são e muito. Assim convidei o João Moreira Pinto, marido, Pai, cirurgião pediátrico, professor universitário, investigador e autor do blogue E os filhos dos outros.



Pai do João Maria com quase 4 a nos e do Manuel Maria com 1 ano,o João sempre muito ocupado, como devem imaginar, mas ainda assim arranjou um tempinho e respondeu às minhas questões. Obrigada João.

1. Ainda que seja a Mãe que está nove meses grávida, o papel do Pai é também muito importante durante este período. Para si, o seu papel enquanto Pai e enquanto marido foi muito diferente numa e noutra gravidez?

Muito diferente, não diria. A segunda gravidez foi vivida com mais calma. Apesar de já estar na minha formação para cirurgião pediátrico, a primeira gravidez fora vivida em grande sobressalto, porque tudo é novo. Na segunda, as visitas ao obstetra foram mais serenas, porque já tínhamos passado por tudo aquilo uma vez. Para além disso, nesta gravidez, eu e a Mãe tínhamos uma situação profissional mais estável, o que terá contribuído também para uma maior 'descomplicação'.

2. Quando e como explicou ao João Maria, que iria ter um irmão?

Julgo que foi a primeira pessoa a saber. Eu e a Mãe estávamos em pulgas, mas fizemos questão de estarmos os dois. Agora que olho para trás, acho que ele não ligou muito. Só quando percebeu a barriga da Mãe a crescer, é que foi tomando consciência do que aí vinha.

3. Ao longo dos 9 meses foi o João que o preparou para a vinda de mais um membro na família? Como?

Foi tudo muito natural. Não fizemos da vinda do novo irmão, um bicho de sete cabeças. O JM tinha 2 anos e uma super-dependência dos pais, própria dessa idade. Assim, acompanhou cada passo da preparação da vinda do irmão: o rearranjo do quarto (ele passou para uma cama-gavetão, «a cama com rodas», o que lhe dava uma ar mais importante), a lavagem das roupinhas que antigamente lhe pertenciam, a reciclagem de alguns brinquedos que ele tinha 'encostado', etc. Em cada passo do processo, o JM ajudava (sempre foi muito prestável). Quando nasceu, continuou a ajudar. Ainda hoje, sente muita responsabilidade pelo bem-estar do irmão.

4. Como foi o dia do nascimento? Como reagiu o João Maria?

O MM nasceu e precisou de ficar ventilado 2 dias, na unidade de cuidados intensivos. Para os pais, foi um filme de terror. O JM foi recambiado para casa dos avós. Veio visitar a Mãe no dia seguinte, mas não podia entrar na unidade de cuidados intensivos.
Não o viu até ele ir para casa, porque o MM estava «a nascer devagariiiinho» (foi essa a sua leitura da explicação que lhe demos, na altura).

5. Participou em alguma tarefa relacionada com o irmão?

Como disse em cima, participou em tudo. Chegou a ir a algumas consultas no obstetra...

6. Tinha e tem momentos dedicados exclusivamente ao João Maria?

Sim. É inevitável. Têm gostos e brincadeiras muito diferentes. É raro conseguir dar atenção aos dois em simultâneo. Para compensar criamos os tempos do 'filho único' que são uma óptima desculpa para fugirmos de casa os dois.

7. Momento mais complicado, mais difícil de gerir com o João Maria?

Os ganchos apertados que o JM aplica ao pequeno irmão quase o sufocam. Diz que são abracinhos, mas mais parece um lutador de wrestling...

8. Como é hoje em dia o relacionamento entre os dois irmãos?

Hoje, o MM tem um ano e o JM fará em breve 4. O MM gosta de se sentar a ver as palermices do irmão. JM devolve algumas gracinhas. Mas não diriam que brincam juntos. O JM é o mais velho e desempanha esse papel com grande responsabilidade.

9. E o amor pelos filhos reparte-se ou multiplica-se?

O Amor não se mede aos palmos. Vive-se. Vive-se com e por cada um dos filhos que temos. O Amor é uma bênção.

10. Alguma dica para Pais que se preparem para a vinda de mais um filho?

'Descompliquem'. Aliás, como em tudo que diz respeito às crianças, o importante é não complicar. As coisas surgem naturalmente. Em casa, vivem todos, pelo que é natural que todos recebam o novo elemento e o acolham da melhor forma que sabem e podem. Havia uma teoria antiga que dizia que se deveria retirar todo o afecto ao irmão mais velho, para que ele não estranhasse a vinda do bebé. Havia coisa mais anti-
natura do que pedir isso a um Pai ou a uma Mãe?

Obrigada João!!!



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A não perder...

O DePantufas é um espaço para crianças a partir dos 2 anos. Um local giro, divertido e muito bem gerido pela Maria Teresa.
Vale a pena visitar aqui e no local, na Travessa das Campinas, 41 Porto.

A Maria Teresa além de ser uma querida tem também umas ideias para lá de giras e diferentes, pelo que se tornam muito atractivas e com toda a certeza todos vão adorar.

Em parceria com a Proparental vai realizar um workshop sobre birras já no próximo dia 15 de Fevereiro.



"O workshop "Disciplina e Limites: Kit Anti-Birras" está indicado para todos os que lidam com crianças, sendo pais, educadores, avós, etc..., que queriam desenvolver uma relação de empatia, verdade e responsabilidade com as Crianças. Está  também direccionado para todas as faixas etárias das crianças. Existem vários caminhos para a "meta" cada um deve definir qual o seu melhor percurso, ciente que "comportamento gera comportamento" e que as crianças são SURPREENDENTES!!"

E têm também uma sessão de esclarecimento acerca da "Febre na Criança - Como Actuar" - das 12h30 às 13h30 - Poderá esclarecer as suas dúvidas sobre o que é a febre, como administrar correctamente os antipiréticos, quando recorrer ao serviço de urgência, como actuar perante um episódio de convulsão.

Inscrição Individual: 20,00€
Inscrição Dupla: 30,00€

Formadoras:
Bárbara Rebelo - Enfermeira especialista em saúde Infantil e Pediatria; Mestrado em Saúde Infantil e Pediatria; Especialidade em educação Social; Formação em Coaching Familiar. Área de interesse: Parentalidade Positiva.
Paula Marques - Enfermaria especialista em Saúde Infantil e Pediatria; a frequentar o Mestrado em saúde Infantil e Pediatria, Formação em Coaching Familiar.

Tanta dúvida que poderão esclarecer e ainda para mais num espaço tão giro.
Save the date e inscrevam-se, é já dia 15 de Fevereiro, sábado.
Para mais informações ver aqui e aqui.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Entrevista | We're family # 3

Conheci a minha próxima entrevistada por acaso, quando fazíamos as duas compras para os nossos filhos e confesso que simpatizei logo com ela.
A Cristina Soares Pereira é autora do blogue Mãe das 5 às 8 e Mãe da Maria Leonor com 6 anos e do João Pedro com 21 meses.
Mais uma vez após ter feito o convite para participar nesta nova rubrica de entrevistas, a minha convidada também não hesitou e prontificou-se a responder a todas as questões.


1. Foram duas gravidezes parecidas, ou completamente diferentes?

Foram ambas vividas com muita intensidade pois foram gravidezes planeadas e desejadas. Se por um lado a primeira gravidez foi vivida com a emoção de ser o nosso primeiro filho, por outro a segunda foi a emoção de ser um rapaz. Claro que na primeira era tudo novo, vivemos um misto de emoção e receio e dúvida.
É verdade que na segunda, e após os três primeiros meses, estávamos bem mais tranquilos.
Enjoei imenso em ambas, desde o início quase quase até ao final. Ainda recordo às vezes que deixei o meu marido pendurado enquanto jantávamos num restaurante ou a viagem Porto/Algarve com paragens frequentes e sacos de plástico na mala. A grande vantagem: engordei muito pouco de ambas.
Apesar destes constrangimentos, em ambas é certo, adorei estar grávida!

2. Quando e como explicou à Maria Leonor que iria ter um irmão?

A Maria Leonor ficou a saber que estava grávida no dia da ecografia dos 3 meses e foi a primeira pessoa a sabe-lo. Aliás, foi ela a mensageira da notícia aos avós.
Tínhamos tido uma experiência dolorosa anteriormente e não quisemos dar-lhe falsas expectativas. Apesar de acharmos que uma gravidez se deve viver desde o primeiro momento com todos os que amamos, na gravidez do João Pedro fomos mais cautelosos.
Na altura ela tinha quase 4 anos. Tivemos uma conversa aberta com ela.
Explicamos que a mamã tinha na barriga um bebé e que iria ser o melhor amigo dela. Na altura quisemos que percebesse que aquele bebé seria uma bênção e não uma “ameaça”. Fiz um coração em cartolina vermelha, mostrei-lhe.
Expliquei-lhe que aquele era o meu coração. Peguei numa tesoura e cortei o coração ao meio. Dei-lhe uma das metades para a mão. Peguei na outra metade e cortei-a em duas partes iguais. A seguir expliquei-lhe que a metade que ela tinha na mão era a parte que lhe era destinada do coração da mãe e que as outras duas partes seriam para distribuir pelo mano e pelo pai. Claro que o objectivo foi que percebesse que a parte maior continuaria a ser sua. Hoje sabe que amo os três com a mesma intensidade e ela é a própria a exigir que assim seja.

3. Ao longo dos 9 meses foi preparando-a para a vinda de mais um membro na família? Como?

Sim. Envolvendo-a em quase tudo. Nas compras, na preparação do quarto – o dela que teria que ser partilhado -, nas idas às ecografias em 3D e, claro, na escolha do nome que deixamos que o fizesse. Felizmente tem bom gosto (risos).

4. Como foi o dia do nascimento? Como reagiu a Maria Leonor?

Foi um dia muito intenso. Tínhamos vivido muito recentemente uma grande perda e este bebé era a esperança de toda a família. Vê-lo nascer – tão pequeno, tão terno, tão delicado – foi um momento indescritível. O parto da Maria Leonor não foi um parto propriamente fácil e vivi-o mais dolorosamente, já o parto do João Pedro foi muito fácil e vivido por isso mais intensamente.
Eu fiquei óptima logo após as duas horas e por isso a Maria Leonor quando me viu ficou mais tranquila. Recebeu o irmão com muito entusiasmo e curiosidade.
Ficou felicíssima com o presente que ele lhe tinha trazido (a inocência é linda!).
Visitava-me todos os dias no hospital, queria-o só para ela e era extremamente cuidadosa. Estava feliz!
O único problema era às 8 da noite quando tinha que sair do hospital. Não queria deixar a mãe e o mano, queria-os em casa com ela e o pai. Era a filha a chorar pelo corredor e a mãe a sufocar o choro no quarto.

5. Deixava-a participar em alguma tarefa relacionada com o irmão?

Em imensas. Nas mudas de fralda, nos banhos (desde os primeiros banhos em casa). Ainda hoje o João Pedro adora que seja a irmã a colocar-lhe o creme no corpo pois desde muito pequeno se habitou àquelas mãos minúsculas a massajá-lo. Ela escolhia a roupa para o irmão vestir, o melhor local para a guardar, etc… tentamos envolvê-la sempre o mais possível em tudo.

6. Em que altura arranjava tempo para dedicar em exclusivo à Maria Leonor?

Confesso que era a parte mais difícil… ainda hoje o é, provavelmente hoje até mais. O JP ainda é um bebé e por isso é menos independente, mas sei que ela precisa de mim, da minha atenção tenha 1, 6 ou 20 anos… uma mãe é para sempre! Notei que em determinada altura a ML se ligou mais ao pai e confesso que me ressenti mas foi uma fase, agora tudo está normal.

7. Momento mais complicado, mais difícil de gerir (durante gravidez, ou depois do nascimento).

Precisamente o dedicar atenção à ML quer durante a gravidez, porque nem sempre me sentia muito bem disposta, quer após a gravidez, porque era mais um que precisava da minha atenção. Tenho três amores muito dependentes desta mãe (risos), se por um lado é muito bom, por outro nem sempre consigo gerir tudo da melhor forma. Confesso hoje sou menos perfeccionista que há uns anos atrás… um dia de cada vez!

8. Como é hoje em dia o relacionamento entre os dois irmãos?

Excelente! São irmãos e está tudo dito, para o bom e para o menos bom.
Adoram-se e detestam-se. Têm momentos em que se vê que têm o maior e melhor dos sentimentos um pelo outro, em que se abraçam, se beijam, se protegem e são cúmplices; e têm momentos em que se beliscam, se acusam, não se suportam. Costumo dizer que a ML é o sol do JP pois mesmo num dia cinzento quando ela chega o dia para ele é de sol radiante; o JP é para a ML o bebé chorão e mimalho que a admira, a adora e a imita. É muito bom vê-los crescer juntos!

9. E o amor pelos filhos reparte-se ou multiplica-se?

Multiplica-se, confirmo! Na altura em que fiquei grávida do JP a minha grande dúvida era precisamente essa: “Como serei capaz de amar outra criança como amo a minha filha?”. Confesso que me angustiava este pensamento. Sentia-me por um lado a traí-la por ser capaz de pensar amar alguém de igual forma e por outro sentia que este pensamento era injusto para com o bebé que crescia dentro de mim e que não pediu para ser concebido.
Hoje digo-vos com total certeza. Amo-os aos dois e ponto. Aliás quando vi o João pela primeira vez e o peguei ao colo percebi que o amor não se esgota num filho, nem em dois, nem em três… um filho é sempre um filho e mãe é sempre mãe! 

10. Alguma dica para Mães de segunda viagem, não só relativamente à gravidez, como também à preparação do primeiro filho?

Acima de tudo "descompliquem"! Não pensem demasiado, sintam! Quando pensamos demasiado não agimos naturalmente e não deixamos o nosso instinto de mãe falar mais alto. Pensem sempre, que façam o que fizerem, o amor de um filho por nós não se esgota bem como o contrário, e se hoje não conseguimos ser a mãe, a mulher, a filha, a profissional que gostaríamos, vamos tentar fazê-lo amanhã, ou depois, ou depois. Ah mais uma coisa… chorar faz bem, por isso se tiverem que o fazer para aliviar façam-nos sem tabus e vergonhas! Não somos super mulheres!
Não vale a pena quereremos fazer igual. Se com o nascimento de um filho ajustes têm que ser feitos à vida do casal, não vamos pensar que com a chegada de um segundo filho tudo vai ficar igual na vida familiar. A chegada de um bebé obriga obviamente a ajustes, mas não significa que se perca com isso, pelo contrário. Se envolvermos a criança mais velha desde o início em tudo (ou quase) ele não vai ver o tempo que passamos juntos com o novo membro da família como ameaça. Brincar às casinhas também pode ser com um bebé de verdade ;)

Obrigada Cristina!!!


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ahrrrr que nunca mais...

Adoro os fins de semana, feriados, férias, mas não doente ou com uma criança doente em casa.
Estive a semana quase toda por casa, primeiro porque a MF esteve doente, depois fui eu e pelos vistos continuo, porque isto de estar grávida e tomar medicamentos não é a melhor conjugação.
Mulher e grávida sofre, até numa constipação, que traz consigo muita tosse, dores de cabeça e muita falta de ar...é o caos para dormir, para descansar, para brincar com a MF, enfim para tudo.
Por aqui a vontade de fazer seja o que for é pouca nenhuma. Cancelei saídas, jantares e tudo o que implicasse muita confusão, ter que falar muito ou organizar o que quer que seja.
Estou cansada de ter o nariz entupido, de não respirar normalmente, do Inverno, do frio e da chuva, de estar em casa, dos cachecóis e casacos quentes; fico irritada, aborrecida e sem entusiasmo para nada.
Felizmente sei que isto há-de passar em breve (assim espero) e que dias de sol e sem nariz congestionado voltarão. Ahrrrr que nunca mais.... 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Uma doçura # 7

Pela primeira vez a minha doçura esteve doente :-(
Sempre disse que no dia em que não quisesse comer estava mesmo doente. Pois bem, aconteceu e ainda que já não tenha febre continua sem grande apetite.
Felizmente recuperou a sua vivacidade e as suas saídas fantásticas.
Já sabe onde está o bebé e faz festinhas na minha barriga, ainda que inicialmente dizia a toda gente que ela tinha um bebé na barriga.
De quando em vez lá me explica o que fez no colégio e fala-me de todos os amiguinhos, com o pormenor que sabe o primeiro e último nome de todos.
Já dou com ela, a cantar algumas canções que vê nos desenhos animados, pelo menos as terminações estão lá ;-)
Imita na perfeição as coreografias dos Caricas e a ginástica que o Sportacus ou a Stephanie de Vila Moleza fazem.
Delira com puzzles e já identifica a maioria dos animais e os sons que produzem.
Está a ficar cada vez mais menininha e vaidosa...já gosta de escolher algumas peças de roupa e claro adora tudo o que seja rosa e de princesas, não fosse ela a minha princesa doce.